Brasília

        Quanto à Brasília, temos duas hipóteses: 1ª. a de que foi projetada para ser uma imitação meticulosa de Aquetáton, com sua arquitetura esfíngica carregada de símbolos mágicos, disposta em calculadas Linhas de Ley para nos conectar ao supramundo, um trabalho por si mesmo ritualístico e místico, perpetrado pelos modernos arquitetos faraônicos de Juscelino, ele próprio, a encarnação de Aquenaton; 2ª. a de que é apenas mais uma aberração modernista, doentia e alienada como tantas, cuja única interpretação verossímil seja apenas a subjetiva de um símbolo para nosso declínio como povo, como nação, como seres esvaziados da beleza e da humanidade do Criador, e que ergueram em meio ao nada um grande monumento cancerígeno para abrigar os mais nojentos vermes da nossa espécie e alimentá-los de um tumor que nos mata dia a dia.
        A mais interessante hipótese é a primeira, pelo óbvio, mas carrega o perigo de flertar com as dimensões mefistofélicas do oculto. A segunda, todavia, é a simples representação de um fracasso nacional que ressoa a partir de um vazio espiritual alargado também pelo inimigo.
    Difícil saber qual cidade é mais obscura e perigosa: a criada com a intensão de se desviar do Sol ou a que se apresenta como oásis para os cegos que caminham em direção ao vórtice engolidor de espíritos. Parece-me uma tarefa impossível conceber a possibilidade de uma terceira dimensão que rejeita a certeza de que lidamos com uma Babilônia faminta por almas dóceis que, ou são devoradas para se tornarem parte do corpo débil infestado pela Legião de parasitas, ou são cuspidas para um abismo que dissolve tudo que é belo. Desgraçadamente, a partir daqui, temos outro problema: como fugir da influência deste Império da Perdição, deste buraco negro grotesco e satânico? Só posso concluir que, sobre esta Capital, é melhor não pensar.
Tecnologia do Blogger.