O homem que ouviu do Cristo, ainda que não o reconheceu como seu Salvador, per se já percebe o Cristo em si. De fato, é um exercício complexo para o prisioneiro do materialismo a compreensão de como se dá a totalidade da pessoa de Cristo. Porém, deslumbramos alguns lados dessa totalidade ao percebermos que o homem divino integraria em sua pessoa a pouca verdade da ideologia. Tal dimensão de sua divina pessoa atravessa a eternidade e abarca todos os séculos, mesmo o nosso que abriga a mais niilista das posições. Por isso um Deleuze pode falar sobre uma rostidade de Cristo que poderia e deveria ser desdobrada. Dessa forma, fica compreensível mesmo para um ateu que sua pessoa total possa ser retomada da Antiguidade para ser representante até mesmo de posições pós-iluministas. E daí surgem, então, o "Cristo comunista", o "Cristo libertário" o "Cristo neocon", o Cristo meu, o Cristo pessoal e partidário, o Cristo que sou eu.
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