Nesta época que nos ilude sobre a necessidade de uma luta política corremos sempre o risco de acreditar que o tamanho de um artista é definido pela longevidade do debate que
ele causa. E essa grandeza seria mais a que levanta voo do que a que ganha raízes, de modo que permanece nas glórias do céu enquanto for visto e comentado. Quem acompanha artistas desta estirpe já não são apreciadores de sua arte, mas correligionários que usam-no como arma em sua guerra contra as injustiças e erros do século. Contra ele, não o vazio, o sofrimento, a falta de sentido, ou qualquer coisa de sublime que dá vazão à produção, mas simplesmente adversários políticos que, no fundo, encaram-no como outro combatente qualquer, e não alguém altivo por deter o dom de voar. Então, enfim, até o mais otimista apreciador da beleza e do intelecto deverá se questionar: arte para quê?
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