O centro extremo da democracia liberal

    A democracia liberal e sua descendência foram imbatíveis no século anterior. É raro, hoje, a esquerda radical reafirmar sua posição; é mais comum vermos socialistas reverenciando o modelo de mercado, ainda que sonhem, dia a dia, com sua dilapidação total. 
    Contudo, a democracia liberal também é radical em sua imposição. Não se escapa dela e de sua cosmovisão totalizante. Em política, é centro direita, mas também extrema direita ao seu modo: ou se joga pelas suas regras ou não se joga. Esse gole amargo não desce pela garganta de qualquer um que vislumbra um mundo "igualitário".
    Mandantes do jogo, liberais tendem a acreditar que socialistas respeitam suas regras. Num racionalismo simplório, pensam que os venceram em confrontos dialéticos, como se a esquerda estivesse preocupada em mostrar que está certa, e não em vencer pela prática da ação política.
    Mas não nos enganemos: o liberal não é totalmente cego; sua visão apenas sofre de uma refração, e ao invés de perceber os detalhes por baixo das relações, ela a repousa sempre no inimigo verdadeiro aos seus olhos graves e míopes: a transcendência.

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